Oposição propõe "escala 7x0" em resposta à PEC do fim da escala 6x1
Oposição propõe “escala 7x0” em resposta à PEC do fim da escala 6x1 A nova batalha trabalhista no Senado opõe duas visões de país: de um lado, a redução da jornada e o fim da escala 6x1; de outro, uma “flexibilização” que, na prática, pode levar o trabalhador à chamada escala 7x0 – sete dias à disposição, folga zero.
Duas PECs, dois projetos de trabalho
A PEC aprovada na Câmara, apoiada pelo governo Lula, reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de folga, mantendo o salário, e agora aguarda rito no Senado sob comando de Davi Alcolumbre. Aliados do presidente do Senado pressionam para concluir a tramitação antes do recesso de julho.
Em resposta, senadores da oposição protocolaram a PEC 12/2026, apelidada de “escala 7x0”. A proposta, capitaneada por Rogério Marinho (PL-RN) e articulada com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), permite que empresas escolham um regime “flexível” baseado apenas em horas trabalhadas, sem limite de carga horária e sem garantia de salário fixo mensal.
Governistas: avanço social x volta ao século XIX
Para parlamentares governistas, a PEC 12/2026 não é alternativa, mas sabotagem. Eles veem uma manobra para “esvaziar o avanço trabalhista” da PEC do fim da 6x1 e barrar seu avanço no Senado ao concentrar assinaturas em um texto concorrente.
A deputada Erika Hilton denuncia que a proposta “acaba com a CLT e cria a escala 7×0”, alertando que as 40 assinaturas já obtidas podem inviabilizar a aprovação do fim da 6x1. Ela divulgou a lista de signatários e conclamou pressão popular para que retirem o apoio.
O deputado Rogério Correia vai na mesma linha e acusa o PL de tentar “instituir escala 7x0 via pagamento por horas trabalhadas”, afirmando que o fim da 6x1 “corre perigo”.
Oposição: liberdade contratual como bandeira
Já a oposição vende a PEC 12/2026 como modernização: defendem que o pagamento por hora daria mais “conciliação entre trabalho e vida social”, usando inclusive o mesmo argumento de quem apoia o fim da 6x1 — mas trocando o ganho de folga garantida por um modelo em que o patrão só paga o que usar. Na vitrine, flexibilidade; no caixa, risco de jornada elástica e renda imprevisível.
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