Angra dos Reis inicia cobrança de Taxa de Turismo Sustentável
Angra dos Reis inicia cobrança de Taxa de Turismo Sustentável Angra dos Reis decidiu cobrar mais caro pelo paraíso: a nova Taxa de Turismo Sustentável entra em vigor prometendo preservar praias e financiar infraestrutura — mas já nasce cercada de desconfiança e cálculo na ponta do lápis.
De um lado, a prefeitura vende a medida como ferramenta de ordenamento e proteção ambiental. A taxa, cobrada de quem chega para passeios, hospedagem ou visitas às ilhas, será paga virtualmente pelo portal Viva Angra ou em totens na cidade e na Ilha Grande, com emissão de voucher e registro do tempo de permanência. Segundo o município, a arrecadação deve bancar melhorias em infraestrutura, saneamento, meio ambiente e segurança pública nas áreas turísticas, enquanto moradores, parentes próximos, crianças, idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores cadastrados ficam isentos.
Do outro lado, operadores de turismo e parte dos moradores enxergam mais distorções do que sustentabilidade. A cobrança torna “passear por Angra dos Reis — para admirar a cidade ou conhecer as praias da Ilha Grande — mais caro para os visitantes”, com um sistema que, na prática, concentra o controle em pontos como a Praia do Abraão, onde estão os principais bares, restaurantes e meios de hospedagem. Críticos alertam que quem chega em barco próprio ou por outras praias pode escapar do pagamento, criando concorrência desleal e questionamentos sobre a efetividade e até a legalidade do modelo.
Nos números, o choque é imediato. Um bate e volta às ilhas pode sair por cerca de R$ 28 até 2027, se o embarque for em Angra; para quem vem de Conceição de Jacareí ou Mangaratiba, o valor sobe para algo em torno de R$ 50, incluindo taxa de serviço. Em hospedagens sem comprovação regular no portal, a cobrança dobra, chegando perto de R$ 100.
Entre o discurso de “turismo sustentável” e o risco de espantar visitantes, Angra testa um modelo que pode virar referência — ou alerta — para outros destinos brasileiros.
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