Depoimento de babá marca sétimo dia do julgamento do caso Henry Borel

No sétimo dia do julgamento pela morte de Henry Borel, a babá Thayná de Oliveira Ferreira depôs e afirmou ter sido instruída por Monique Medeiros a apagar mensagens do celular. Ela também relatou episódios suspeitos envolvendo Jairinho e o menino, e disse que pretende se retratar de versões anteriores.
Depoimento de babá marca sétimo dia do julgamento do caso Henry Borel

Depoimento de babá marca sétimo dia do julgamento do caso Henry Borel No sétimo dia do julgamento pela morte de Henry Borel, o depoimento da babá Thayná de Oliveira Ferreira expôs contradições, emoções à flor da pele e uma disputa aberta de narrativas entre acusação e defesa sobre o que aconteceu no apartamento onde o menino de 4 anos vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho.

O papel da babá: de testemunha controversa a peça central do júri

Todos os veículos, de diferentes alinhamentos políticos, convergem em um ponto: Thayná é uma das testemunhas mais aguardadas e controversas do caso. O Globo destaca que ela admitiu ter mentido em versões anteriores e afirmou que pretende se retratar diante da juíza Elizabeth Machado Louro. A Folha de S.Paulo relata que a magistrada considerou que a babá se retratou de depoimentos contraditórios anteriores logo após suas primeiras respostas em plenário.

Tanto veículos alinhados ao governo quanto à oposição enfatizam que Thayná responde a um processo por falso testemunho, o que dá à sua fala um peso duplo: ao mesmo tempo em que pode esclarecer lacunas da investigação, também oferece munição às defesas para questionar sua credibilidade.

“Apaga as mensagens”: versões coincidentes sobre orientação de Monique

Um dos pontos de maior convergência entre as coberturas é a acusação de que Monique teria orientado a babá a apagar registros no celular após a morte de Henry. O Globo reproduz a frase atribuída à mãe: “Apaga as mensagens. Vão te perguntar, fala o mínimo. Fala que a nossa relação era muito boa”. A Revista Oeste, em linha semelhante, sublinha que Thayná disse ter sido instruída a “apagar mensagens do celular depois da morte do menino e minimizar relatos sobre a convivência da família”, além de sustentar uma imagem de harmonia doméstica.

Enquanto a Folha concentra-se mais na dinâmica do julgamento e no conteúdo técnico das acusações, sem ênfase política, veículos de oposição como Oeste e Fórum vinculam esse suposto apagamento de provas à tese de uma estratégia mais ampla de manipulação de versões, envolvendo inclusive advogados ligados à defesa de Jairinho. Na prática, porém, os fatos descritos são semelhantes: haveria uma tentativa de controlar o que seria dito à imprensa e à polícia logo após a morte da criança.

Suspeitas sobre Jairinho: relatos indiretos e sinais no corpo de Henry

Outro eixo comum nas narrativas é a descrição de episódios que levantaram suspeitas sobre a conduta de Jairinho com Henry. A Folha relata que, segundo Thayná, o ex-vereador ficava trancado no quarto com o menino e que ela nunca presenciou diretamente agressões, mas observava sinais posteriores: “dores, dificuldade para andar e reclamações de dor na cabeça”. Em três episódios relatados, Henry teria saído do quarto “amoadinho”, mancando ou com uma marca roxa no braço, após afirmar que levou uma “banda” e caiu da cama.

A Revista Oeste reforça o mesmo conteúdo, destacando que nas três ocasiões descritas pela babá o então vereador levou Henry para um quarto, fechou a porta, e depois o menino saiu reclamando de dores, dizendo ter levado uma “banda” e caído da cama.

Já O Globo, em tom semelhante, ressalta que Thayná descreveu “episódios suspeitos envolvendo Jairinho e Henry” e afirmou ter alertado Monique em tempo real sobre o que considerava preocupante. Em outra reportagem, o jornal registra que a babá chegou a sugerir à mãe a instalação de câmeras no apartamento para registrar o que acontecia e também “se resguardar”.

Tensão no plenário: o estado emocional da babá

Na cobertura mais focada no clima do julgamento, O Globo relata o momento em que Thayná, em voz baixa para sua advogada, diz: “Eu preciso sair daqui. Eu não estou bem”, em meio a questionamentos insistentes da defesa de Monique e intervenções da acusação. A matéria descreve um ambiente de forte carga emocional, marcado por interrupções e confrontos entre advogados e a própria testemunha.

A mesma reportagem destaca que a defesa de Monique buscou explorar a conduta da babá: se ela acreditava que Henry corria risco, por que não teria procurado a polícia? Em resposta, Thayná afirmou que também ficava “nervosa e assustada” e reiterou que nunca viu a agressão acontecer diante de seus olhos, embora tenha observado marcas e comportamentos preocupantes na criança.

Esse foco no abalo emocional aparece de forma mais proeminente em O Globo, enquanto veículos de oposição priorizam o conteúdo acusatório do depoimento. Ainda assim, todos registram que o depoimento da babá ocorre sob intensa pressão, tendo em vista suas versões anteriores e o peso do caso na opinião pública.

Defesa x acusação: narrativas em choque

Acusação: agressões de Jairinho e omissão de Monique

A Folha sintetiza a tese do Ministério Público: Jairinho é acusado de provocar lesões corporais fatais em Henry por meio de “agressões contundentes”, enquanto Monique, como mãe e responsável legal, teria se omitido diante da violência, contribuindo para o resultado criminoso. A Revista Fórum reforça essa leitura mais ampla, lembrando que as acusações contra o casal envolvem homicídio qualificado, tortura e omissão, e que a promotoria sustenta que Monique sabia das violências e não protegeu o filho.

Reportagens de oposição também ressaltam a existência de laudos médico-legais que apontam múltiplos traumatismos incompatíveis com queda acidental, bem como a fala de autoridades policiais sobre pressões para evitar perícias mais profundas. Nessa linha, o depoimento de Thayná reforçaria a ideia de um padrão de agressões prévias e de uma tentativa posterior de encobrir a realidade.

Defesa de Monique: mãe zelosa, manipulada e orientada a mentir

Por outro lado, a Revista Fórum destaca depoimentos de defesa que apresentam Monique como uma “mãe zelosa”, trabalhadora e dedicada ao filho, segundo relatos do irmão Bryan Medeiros e de colegas da ré. O irmão afirma que nenhum familiar desconfiou inicialmente de Jairinho e que Monique jamais permitiria agressões ao menino.

Em paralelo, a mesma publicação relata que Bryan contou em juízo que um advogado ligado à defesa de Jairinho teria “treinado” Monique para mentir à polícia, orientando-a a afirmar que o ex-vereador estava dormindo no momento do crime. A família, segundo ele, passou a acreditar que Monique estava sendo manipulada e buscou uma defesa separada da de Jairinho. Esse ponto é usado para sustentar a tese de que a mãe também teria sido alvo de pressão e controle de narrativa por parte do padrasto e de seus advogados.

Defesa de Jairinho: questionamento das provas e das testemunhas

A defesa de Jairinho, por sua vez, aparece nas matérias como focada em descredibilizar depoimentos como o de Thayná. Veículos de oposição mencionam que os advogados do ex-vereador exploram as divergências entre as versões apresentadas pela babá ao longo do processo e sublinham o fato de que não há registros de agressões em delegacias antes da morte de Henry.

Também é citada a tentativa de questionar laudos do Instituto Médico-Legal e até sugerir que o pai de Henry teria influenciado peritos, estratégia rejeitada por testemunhas de acusação e pelos familiares de Monique, segundo a cobertura da Revista Fórum.

Convergências e divergências entre veículos

Embora as reportagens tenham diferentes alinhamentos políticos, a descrição factual do depoimento da babá é, em grande medida, consistente entre elas:

  • Todas mencionam a intenção de retratação de Thayná em relação a depoimentos anteriores.
  • Há consenso sobre a acusação de que Monique a orientou a apagar mensagens e minimizar relatos sobre a família.
  • Todos concordam que a babá afirma não ter visto diretamente agressões, mas relata sinais físicos e comportamentais em Henry após ficar sozinho com Jairinho.

As diferenças aparecem, sobretudo, no enquadramento:

  • Veículos tradicionais (como O Globo e Folha) priorizam o passo a passo do julgamento, o clima na sala e os detalhes processuais, com tom mais descritivo e foco jurídico.
  • Veículos de oposição (Oeste e Fórum) enfatizam o caráter de “reviravolta” do depoimento da babá, a dimensão política e moral do caso, e reforçam a tese de um esquema de mentiras e manipulação de provas envolvendo advogados e o entorno de Jairinho.

O que está em jogo no sétimo dia do júri

O depoimento de Thayná se insere em uma fase decisiva do julgamento, após a oitiva do pai de Henry, Leniel Borel, e do irmão de Monique, Bryan, e enquanto seguem sendo ouvidas testemunhas de defesa e acusação. Para a promotoria, as novas declarações da babá reforçam um quadro de violência sistemática contra a criança e de omissão materna. Para as defesas, elas confirmam que não houve flagrante de agressão e evidenciam fragilidades de uma testemunha que admite ter mentido anteriormente.

Entre versões que se confrontam, o júri terá de avaliar se os sinais percebidos pela babá, as mensagens trocadas com Monique e os laudos periciais bastam para sustentar a acusação de homicídio qualificado, tortura e omissão — ou se as dúvidas levantadas pelas defesas sobre a consistência dos depoimentos e sobre a cadeia de custódia das provas podem inclinar a balança em favor dos réus.

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