Colômbia vai às urnas para eleição presidencial em meio a polarização
Colômbia vai às urnas para eleição presidencial em meio a polarização A Colômbia vai às urnas com um dilema que vai muito além de Bogotá: manter a experiência inédita da esquerda no poder ou embarcar na guinada de ultradireita em plena pior onda de violência da década. O que para o eleitor é medo e cansaço, para os blocos político‑ideológicos virou plebiscito continental.
De um lado, a narrativa governista pinta o cenário como escolha entre “avanços sociais” e “atraso direitista”. Iván Cepeda, aliado de Gustavo Petro, aparece à frente nas pesquisas e vende sua candidatura como continuidade de um “processo de transformação social” que teria reduzido pobreza e fome e ampliado programas sociais. Nessa leitura, o pleito é também sobre geopolítica: uma vitória da direita “eliminaria um dos últimos aliados do Brasil na América do Sul” e enfraqueceria a coordenação amazônica com Lula dentro da OTCA.
A oposição descreve o mesmo país em termos diametralmente opostos: “caos, mortes e atentados” e “governo terrível” de Petro, que teria falhado no combate ao crime. Para esse campo, o voto é um basta à “Paz Total” e um alinhamento mais duro com os EUA contra facções criminosas. O advogado Abelardo de la Espriella, outsider que se inspira em Bukele, Milei e Trump, surge como rosto dessa ruptura, prometendo megaprisões e “morte ou prisão” para criminosos.
Há ainda a direita tradicional, encarnada por Paloma Valencia, herdeira política de Álvaro Uribe, que tenta combinar linha dura na segurança, combate à corrupção com uso de IA e a carta simbólica de ser a primeira mulher presidente. A militância conservadora celebra que, num provável segundo turno, a “terceiro colocada, de centro-direita, já anunciou apoio ao líder, de direita. O objetivo é derrotar o comunista!”, como vibrou Rodrigo Constantino no X.
No meio desse ringue ideológico, o eleitor colombiano é convocado a decidir se quer mais diálogo com guerrilhas ou mais fuzis nas ruas. O resto do continente, especialmente Brasília e Washington, assiste de camarote — mas com muito em jogo.
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