Juiz aposentado Odilon de Oliveira apoia classificação de facções como terroristas pelos EUA
Juiz aposentado Odilon de Oliveira apoia classificação de facções como terroristas pelos EUA A ofensiva dos Estados Unidos contra o PCC e o Comando Vermelho escancara uma fissura incômoda: enquanto Washington trata as facções como terroristas, Brasília ainda patina entre cautela diplomática, disputas políticas e medo de exportar seu próprio caos interno.
Odilon: “não é ingerência, é soberania”
Do lado de quem aplaude a medida, o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, algoz de Fernandinho Beira-Mar, não tem dúvidas: a classificação é juridicamente legítima e politicamente oportuna. Para ele, cada país “é livre para conceituar terrorismo e classificar como tal atos praticados por qualquer grupo”, amparado pela própria soberania.
Odilon resgata o histórico de violência das facções para justificar o selo de terrorismo: os ataques coordenados do PCC em São Paulo, em 2006, e a dominação territorial do Comando Vermelho no Rio de Janeiro seriam exemplos de “atos de terror” ancorados por arsenal pesado e alta capacidade técnica. Ele reforça que os EUA apenas usam seus próprios instrumentos legais, sem “impor ao Brasil a mesma definição” nem ferir a soberania nacional.
Crítica à paralisia brasileira
Nesse enquadramento, a decisão americana expõe, por contraste, a hesitação do Estado brasileiro: se Washington já trata PCC e CV como ameaça transnacional, por aqui o debate jurídico ainda trava em semânticas enquanto as facções ampliam influência e se infiltram em estruturas públicas, como alerta o próprio ex-juiz.
Odilon, porém, também joga um balde de realismo sobre o entusiasmo punitivista: falar em exterminar o crime organizado é ilusão. “A eliminação do PCC e do CV é impossível. A redução de suas atividades delinquenciais, sim.” A mensagem, no fim, é dupla e incômoda: os EUA podem carimbar o rótulo que quiserem; sem uma estratégia consistente dentro do Brasil, o terror continua falando português.
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