Proposta de redução da jornada de trabalho geraria perda de R$ 77 bi, diz estudo
Proposta de redução da jornada de trabalho geraria perda de R$ 77 bi, diz estudo A disputa em torno da redução da jornada para 40 horas semanais opõe um governo que vende qualidade de vida a um bloco empresarial que enxerga uma bomba-relógio sob o PIB, o emprego e os preços. No centro da briga, uma conta salgada: R$ 77 bilhões a menos na economia por ano.
De um lado, o governo embala a PEC como solução quase mágica para o bem-estar do trabalhador, associando menos horas à promessa de mais tempo livre, saúde e equilíbrio. A narrativa oficial é de modernização das relações de trabalho e alinhamento a países que já operam com jornadas mais curtas, sem abrir mão de salário.
Do outro, entidades empresariais e analistas pintam um cenário bem menos cor-de-rosa. Estudo citado pela Confederação Nacional da Indústria projeta que a redução da jornada para 40 horas, sem corte de salários, significaria uma perda anual de 0,7% do PIB — algo em torno de R$ 77 bilhões — e um aumento médio de 7% na folha de pagamento, pressionando sobretudo indústria e comércio. Outra estimativa fala em até 2,7 milhões de empregos formais extintos, já que pequenos negócios, com margens apertadas, teriam de reduzir operações para sobreviver.
Onde o governo fala em bem-estar, os críticos veem um diagnóstico errado: o verdadeiro gargalo seria a baixa produtividade brasileira, hoje na 94ª posição entre 184 países, e não o número de horas trabalhadas. Sem atacar gestão deficiente, falta de capacitação e infraestrutura precária, reduzir horas seria apenas encarecer produção sem gerar mais riqueza, com efeito dominó em preços: a projeção é de alta de até 5,7% nos alimentos e reajustes fortes em setores como turismo e construção civil.
Há um ponto em comum entre os lados, ainda que por razões distintas: todos admitem que a medida deixaria de fora cerca de 40 milhões de informais, 38,1% da força de trabalho. O debate, no fim, é menos sobre horas e mais sobre quem vai pagar a conta — e quem nem sequer entra na conversa.
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