24° Dia de Estudo Bíblico

Terminei mais um dia de estudo!! Interessante o posicionamento da igreja quanto a pensadores pagãos como Platão, Aristóteles pode ser visto com filósofos que alcançaram algumas verdades mesmo não estando na igreja, mas que toda a verdade vem de Deus, então para que eles alcancassem este grau de discernimento, isso foi concedido por Deus.
24° Dia de Estudo Bíblico

📜 O Concílio de Trento e a Definição Dogmática do Cânon Bíblico

O Concílio de Trento (1545-1563) foi um dos eventos mais significativos da história da Igreja Católica, convocado pelo Papa Paulo III para responder aos desafios da Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero em 1517. Lutero, um monge agostiniano alemão, afixou suas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, criticando práticas como a venda de indulgências, o papel da Tradição e a autoridade do Magistério. Essas teses não eram apenas uma crítica interna, mas um protesto que questionava fundamentos da fé católica, levando à divisão da cristandade ocidental.

Como explica o Padre Paulo Ricardo em seu site, Trento se tornou o “bastião da Igreja” para resistir aos “ataques de carnificina e do caos provocados pelos protestantes”, que destruíram o tecido social e eclesial da época.

As motivações principais foram reformar abusos internos (como a corrupção clerical) e reafirmar doutrinas católicas ameaçadas pelo protestantismo. Lutero negava a autoridade da Igreja para interpretar as Escrituras, defendendo o “livre exame” e rejeitando livros deuterocanônicos do Antigo Testamento (como Tobias e Macabeus), alegando que não atendiam aos critérios rabínicos judaicos do século I. Isso ignorava mais de mil anos de discernimento eclesial, culminando na divisão: surgiram denominações protestantes que adotaram um cânon reduzido, enfraquecendo a unidade da Revelação.

O Concílio, em sessões como a quarta (1546), definiu o Cânon Bíblico como dogma de fé, declarando anátema (excomunhão) para quem o rejeitasse, para preservar a integridade da Palavra de Deus.


Os Efeitos do Protestantismo e a Necessidade de Definir o Cânon como Dogma

Com a ascensão do protestantismo, a Igreja enfrentou uma crise de autoridade: Lutero e seus seguidores questionavam não só indulgências, mas a própria composição da Bíblia. Como resultado, Trento concluiu que era essencial definir definitivamente o Cânon Bíblico, elevando-o a dogma. Quem não aceitasse os 73 livros (46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento) seria considerado anátema, conforme o Decreto sobre o Cânon das Sagradas Escrituras (Sessão IV).

Isso ecoa o estudo anterior sobre opiniões errôneas: o protestantismo introduziu subjetividade, mas a Igreja reafirmou sua autoridade apostólica.


📅 Linha do Tempo da Definição do Cânon Bíblico

Evento Data Contribuição
Sínodo de Roma 382 d.C. Primeira lista oficial dos livros bíblicos sob o Papa Dâmaso I
Sínodo de Cartago 397 d.C. Participação de Santo Agostinho; reafirmação dos livros inspirados
Concílio de Florença 1439–1445 Confirmação dos 73 livros da Bíblia Católica
Protesto de Lutero 1517 d.C. Rejeição dos deuterocanônicos e da tradição apostólica
Concílio de Trento 1545–1563 Definição dogmática do cânon bíblico; quem rejeita os livros é considerado anátema

📖 O Cânon Bíblico Segundo o Catecismo

“Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir quais escritos deveriam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados.”
Catecismo da Igreja Católica, §120

A lista completa inclui 46 livros do Antigo Testamento (ou 45, se Jeremias e Lamentações forem contados juntos) e 27 do Novo Testamento, totalizando os 73 livros da Bíblia Católica.

Para o Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes (ou Coélet), Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico (ou Sirácida), Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.

Para o Novo Testamento: Os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas, João; Atos dos Apóstolos; as epístolas de São Paulo aos Romanos, 1° e 2° aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, 1° e 2° aos Tessalonicenses, 1° e 2° a Timóteo, a Tito, a Filêmon; a Epístola aos Hebreus; a Epístola de Tiago; 1° e 2° epístolas de Pedro; as três Epístolas de João; a Epístola de Judas; e o Apocalipse.


❌ O Erro de Lutero: “Sola Scriptura”

A doutrina protestante de “somente a Escritura” é refutada pela própria Bíblia:

“Antes de tudo, ficai sabendo que nenhuma profecia da Escritura admite interpretação pessoal; pois uma profecia não é pronunciada por vontade humana, mas foi pelo impulso do Espírito Santo que alguns falaram da parte de Deus.”
2 Pedro 1,20-21

Aqui, São Pedro enfatiza que a interpretação é eclesial, não individual.

Outra passagem da Bíblia o refuta de modo prático com a passagem sobre o eunuco de Candace.

“Como poderia entender, se ninguém me orienta?”
Atos 8,27-31 — O eunuco etíope reconhece que precisa da explicação de Filipe, símbolo da autoridade da Igreja.


📚 A Verdade Também Pode Estar Fora da Igreja?

Sim. Muitos filósofos pagãos — como Platão, Aristóteles e Confúcio — expressaram verdades universais. Mas como ensina Santo Agostinho, toda verdade vem de Deus, mesmo quando encontrada fora da Igreja.

“Tudo o que um homem tenha aprendido de bom, ali está ensinado. E o que não aprendeu em nenhuma outra parte, somente encontrará na admirável superioridade e profundidade destas Escrituras.”
— Doutrina Cristã II, 43, 63

A ciência humana é útil, mas pequena diante da sabedoria das Escrituras — como o ouro do Egito comparado às riquezas de Jerusalém.


🙏 Conclusão: A Igreja é a Guardiã da Escritura

A Bíblia não é fruto de uma escolha pessoal, mas de um discernimento comunitário e apostólico. Somente a Igreja Católica Apostólica Romana tem autoridade para definir o cânon bíblico — e o fez com fidelidade ao Espírito Santo.



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