22° Dia de Estudo Bíblico
- 📖 A História da Formação da Bíblia: A Tradição, os Deuterocanônicos e a Sabedoria da Igreja
- 🕊️ A Versão dos Setenta e os Judeus da Diáspora
- ✨ Jesus e os Apóstolos Usaram a Septuaginta
- 📜 Os Critérios Judaicos e o Concílio de Jâmnia
- 🧠 Santo Agostinho e a Doutrina Cristã
- 🏛️ O Sínodo do Século IV e a Definição Canônica
- 📚 Por Que Lutero Retirou os Deuterocanônicos?
- 🙏 Conclusão: A Bíblia é Palavra Viva da Igreja
📖 A História da Formação da Bíblia: A Tradição, os Deuterocanônicos e a Sabedoria da Igreja
A Bíblia que temos hoje é fruto de séculos de discernimento espiritual, vivência comunitária e ação do Espírito Santo. Sua formação não foi um ato isolado, mas um processo guiado pela fé da Igreja e pela fidelidade à Revelação.
🕊️ A Versão dos Setenta e os Judeus da Diáspora
A origem dos livros deuterocanônicos está ligada à presença de judeus fora da Terra Santa, especialmente em Alexandria, onde a língua grega predominava. Por volta de 250 a.C., surgiu a necessidade de traduzir as Escrituras Hebraicas para o grego — dando origem à Septuaginta, ou Versão dos Setenta.
Segundo a tradição, 70 sábios judeus reuniram-se em Alexandria para realizar essa tradução, que se tornou amplamente usada nas sinagogas da diáspora.
Essa versão incluía livros como Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 Macabeus, além de acréscimos em Daniel e Ester.
✨ Jesus e os Apóstolos Usaram a Septuaginta
No programa A Força de Deus, o Bispo José Falcão destaca que Jesus e os Apóstolos citavam a Septuaginta em seus ensinamentos e cartas. Isso confirma sua autoridade espiritual e seu uso legítimo na tradição cristã.
📜 Os Critérios Judaicos e o Concílio de Jâmnia
Com o surgimento do cristianismo, os rabinos judeus realizaram o Concílio de Jâmnia (final do século I d.C), estabelecendo critérios para definir os livros inspirados:
- Não contradizer a Torá
- Ter sido escrito em hebraico
- Ter sido redigido na Terra Santa
- Ter sido escrito antes de Jeremias e Ezequiel
Esses critérios excluíram os livros deuterocanônicos, que já eram usados pelos judeus da diáspora e pelos cristãos.
🧠 Santo Agostinho e a Doutrina Cristã
Em sua obra A Doutrina Cristã, escrita por volta de 395 d.C., Santo Agostinho apresenta uma lista de livros canônicos que praticamente corresponde à Bíblia Católica atual — com exceção do livro de Baruc, que seria reconhecido posteriormente.
Agostinho valoriza:
- Os cinco livros de Moisés
- Os livros históricos (Josué, Juízes, Rute, Reis, Paralipômenos)
- Os livros sapienciais (Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Sabedoria, Eclesiástico)
- Os profetas menores e maiores
- Os livros deuterocanônicos como Tobias, Judite, Macabeus, Edras
No Novo Testamento, ele reconhece:
- Os quatro Evangelhos
- As 14 cartas de São Paulo
- As cartas de Pedro, João
- Os Atos dos Apóstolos
- O Apocalipse
🏛️ O Sínodo do Século IV e a Definição Canônica
Antes mesmo de Agostinho, por volta de 382 d.C., o Sínodo dos Bispos da Península Itálica, convocado pelo Papa Dâmaso I, definiu os livros inspirados da Bíblia. Esse sínodo reconheceu 6 dos 7 livros deuterocanônicos como canônicos.
Decreto do Concílio de Roma (382 dC) sobre o Cânon das Escrituras durante o reinado do Papa Dâmaso I (366-384 AD).
“Como foi dito: Agora, de fato, devemos tratar das divinas Escrituras, que a Igreja Católica universal aceita e o que ela deve evitar. A ordem do Antigo Testamento começa aqui: Gênesis um livro, Êxodo um livro, Levítico um livro, Números um livro, Deuteronômio um livro, Josué Nave um livro, Juízes um livro, Rute um livro, Reis quatro livros, Paralipônemos [i.e. Crônicas] dois livros, Salmos um livro, Salomão três livros, Provérbios um livro, Eclesiastes um livro, Cântico de Cânticos um livro, do mesmo modo Sabedoria um livro, Eclesiástico [i.e. Sirach] um livro.
Da mesma forma, a ordem dos profetas. Isaías um livro, Jeremias um livro, com Cinoth, isto é, com suas Lamentações, Ezequiel um livro, Daniel um livro, Oséias um livro, Amós um livro, Miquéias um livro, Joel um livro, Abdias um livro, Jonas um livro, Naum um livro, Habacuque um livro, Sofônias um livro, Ageu um livro, Zacarias um livro, Malaquias um livro. Da mesma forma, a ordem das histórias. Jó um livro, Tobias um livro, Esdras dois livros [i.e. Esdras e Neemias], Ester um livro, Judite um livro, Macabeus dois livros.
Da mesma forma, a ordem dos escritos do Novo Testamento Eterno, que somente a Igreja Santa e Católica apóia. Dos Evangelhos, Segundo Mateus um livro, Segundo Marcos um livro, Segundo Lucas um livro, Segundo João um livro.
As epístolas de Paulo, o apóstolo, no número de catorze. Para os romanos uma, duas aos coríntios, aos efésios uma, aos tessalonicenses duas, aos gálatas uma, aos filipenses uma, aos colossenses uma, duas a Timóteo, a Tito uma, a Filomom uma, aos hebreus uma.
Da mesma forma, o Apocalipse de João, um livro. E os Atos dos Apóstolos um livro. Da mesma forma, as epístolas canônicas no número de sete. De Pedro, o Apóstolo, duas epístolas, de Tiago Apóstolo uma epístola, de João o Apóstolo uma epístola, de outro João, o presbítero, duas epístolas, de Judas, o zelote, o apóstolo uma epístola ”.
Essa definição foi confirmada nos Concílios de Hipona (393) e Cartago (397 e 419), e reafirmada dogmaticamente no Concílio de Trento (1546).
📚 Por Que Lutero Retirou os Deuterocanônicos?
No século XVI, Martinho Lutero removeu os sete livros deuterocanônicos da sua tradução da Bíblia, alegando que não estavam no cânon hebraico.
No entanto, esses livros já eram reconhecidos pela Igreja desde os primeiros séculos.
🙏 Conclusão: A Bíblia é Palavra Viva da Igreja
A Bíblia não foi simplesmente “montada” por homens, mas reconhecida pela Igreja como Palavra inspirada de Deus. A tradição, os concílios e os santos doutores — como Santo Agostinho — foram instrumentos do Espírito Santo para preservar a verdade da fé.
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